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Editorial

O Teatro Municipal da Guarda entra em 2020 com um desígnio bem vincado: comemorar os 15 anos de vida que se assinalam no dia 25 de abril. Para tal, vai cumprir-se um plano de ação programático estruturante, a partir de abril à volta de 15 projetos artísticos, pedagógicos e culturais que irão certamente marcar a agenda cultural da cidade e da região até final do ano. Para já, o grande momento desta temporada será o concerto que assinala o 15º aniversário do TMG com o grupo Resistência, mítico grupo de músicos portugueses que nunca se apresentou na Guarda. Será o ponto alto da efeméride mas que não se esgota neste concerto, visto que em abril haverá ainda exposições de fotografia, dois documentários, o lançamento do livro dos 15 anos do Teatro, e dois concertos que serão marcantes: de Salvador Sobral e da Orquestra Académica Filarmónica Portuguesa com a violinista inglesa Stephanie Childress. Mas ainda antes de abril o TMG propõe toda uma programação repleta de bons espetáculos e propostas artísticas diversificadas, afirmando-se claramente como o motor cultural da região centro.


Em janeiro recebe o humorista Bruno Nogueira e a música de duas bandas de culto nacionais, os The Black Mamba e os Capitão Fausto, sem esquecer o espetáculo de teatro “Damas da Noite” do ator e encenador Elmano Sancho.


Em fevereiro, a programação segue a sua intensa atividade com o jovem cantor Fernando Daniel, o teatro de comédia do Casal da Treta e o espetáculo original de quadros vivos do pintor italiano Caravaggio.


E em março, regressa ao TMG uma grande produção de bailado clássico com a imortal obra “Quebra Nozes” pela Companhia de Dança Jovem do Porto. E ainda destaque para a reputada flautista norte-americana Susan Palma Nidel que irá reinterpretar músicas de influentes músicos portugueses como Sérgio Godinho, Fausto e Júlio Pereira.


Em suma, os primeiros quatros meses de 2020 são um momento forte de afirmação cultural, com uma aposta firme do Município da Guarda em ajudar a consolidar cada vez mais a posição do TMG, neste caso, no quadro da Candidatura da Guarda a Capital Europeia da Cultura. Este é o nosso compromisso político, que se tem solidificado, na assunção da responsabilidade pública em dignificar, cada vez mais, um equipamento cultural de referência para a vida dos cidadãos que aqui habitam (e não só) como um dos garantes do direito constitucional de acesso à cultura e às artes.


Entendemos a política cultural como um dos mais importantes eixos de desenvolvimento, na medida das suas influências na capacidade de gerar fluxos e impactos económicos. E por isso não devíamos estar sozinhos no esforço financeiro de democratização da cultura, como estamos, e na manutenção total da vida do nosso Teatro Municipal. O mesmo Estado Português que, no período de 1997/99, cumpriu, e bem, um programa inédito de recuperação e de construção de teatros por todo o país – entre eles o TMG – devia ter criado programas de financiamento especiais, sobre determinadas condições e regras, para esses mesmos teatros, e não abandoná-los, como aconteceu, no caso da Guarda ao longo dos últimos 14 anos. Estamos certos de que, independentemente de normais opiniões divergentes quanto às opções programáticas, o TMG continua a ser um dos mais eloquentes casos de êxito no cumprimento dos seus objetivos e missão. Assim, aguardamos (firmes como granito) que o atual Governo possa avançar com uma estratégia nacional de apoio aos teatros municipais. Mais do que uma questão de justiça e equidade das políticas públicas, será um sinal de cumprimento de medidas de coesão territorial de um Portugal que não pode continuar a ser desigual.


Carlos Chaves Monteiro

Presidente da Câmara Municipal da Guarda